segunda-feira, 23 de março de 2015

A Marinha do Brasil na Segunda Guerra Mundial.

A Marinha do Brasil perdeu na guerra 467 homens, entre comandantes, oficiais, suboficiais e praças. Três de seus navios foram afundados – o Marcílio Dias, em 1944, por um submarino alemão; a corveta Camaquã, pelo mau tempo, em 1944, e o cruzador Bahia, destruído em 4 de julho de 1945, pouco antes do fim da guerra no Pacífico, por um explosão acidental em seu paiol de munição.
Foi no mar que o Brasil sofreu as mais pesadas perdas durante toda a guerra. Ao todo, cerca de 1.400 brasileiros morreram em consequência da ação de submarinos alemães e italianos e em outras operações de guerra.
Marinheiro vigia comboio no Atlântico Sul. Durante a guerra, a Marinha brasileira escoltou milhares de navios em comboios para garantir o comércio marítimo do País. Os comboios partiam do Rio, Salvador, e do Recife e iam até a ilha de Trinidad, no Caribe.
A história da Marinha brasileira durante a guerra é a menos conhecida entre as de nossas Forças Armadas – são poucos os livros que contam trabalho nos caça-ferro e caça-pau, os navios da guerra antissubmarina do Brasil no Atlântico. E, no entanto, ela foi a mais necessária de todas as forças naquela guerra – sem ela, não haveria gasolina – quase toda importada – ou comércio entre as regiões do País – as comunicações por terra entre as regiões inexistiam.
Lançamento de cargas de profundidade no oceano Atlântico. Essas bombas eram uma das principais armas contra submarinos .
A Marinha, com seus recursos escassos – seus primeiros equipamentos contra submarinos só chegaram em setembro de 1942, um mês depois da declaração de guerra -, garantiu a continuidade do comércio no litoral brasileiro.
Em 9 de setembro daquele ano, ela organizou o primeiro dos comboios. Partiu das margens do Potengi, em Natal, e foi até o Recife, protegido por três navios de escolta. Ao todo, brasileiros e americanos – os navios da Marinha brasileira foram incorporados à 4ª Frota dos EUA – escoltaram 503 comboios durante a guerra, em que estiveram protegidos 2.914 navios. “Cada passagem de um comboio era uma vitória”, conta o almirante Hélio Leôncio Martins, de 97 anos, que comandou um caça-pau durante a guerra.
Carga de profundidade é disparada por um navio brasileiro durante exercício de guerra antisubmarina na Segunda Guerra Mundial
Isso foi possível, em parte, porque nossa forças navais foram reequipadas com navios americanos durante a guerra, recebendo, por exemplo, contratorpedeiros de escolta.
Na galeria que publicamos aqui, estão fotos do Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha. Elas mostram a ação dos marinheiros nos comboios e na vigilância do Atlântico, exercícios de luta antissubmarina com o lançamento de cargas de profundidade e fotos de alguns dos navios brasileiros engajados na guerra.
 O encouraçado Minas Gerais em Salvador em 1942.
O encouraçado São Paulo foi comprado pelo Brasil em 1908 da Inglaterra e, com o Minas Gerais, tornaram a Marinha brasileira a mais poderosa da América do Sul. Ambos os navios eram da classe Dreadnought, a mais poderosa da época – tinham canhões de 305 mm. Durante a guerra, o São Paulo foi mantido ancorado no porto do Recife para guarnecê-lo.

Em entrevista, o almirante Hélio Leôncio Martins fala sobre a participação da Marinha do Brasil no conflito.
Mais brasileiros morreram no mar (1.081) do que nos campos da Itália (466). Para manter o comércio, o Brasil não podia deixar suas águas. Durante a guerra, o almirante Hélio Leôncio Martins comandou um navio antissubmarino. É ele quem conta a atuação da Marinha do País no conflito.
A Marinha estava preparada para a guerra?
Quando começou a guerra… zero. Pode pôr zero. Zero mesmo. Não sabíamos nada de defesa antissubmarina, não tínhamos arma nem equipamento. Começamos a guerra em agosto. Os dois primeiros navios antissubmarinos caça-ferro, comprados na véspera da guerra, só chegaram em setembro.
Como foi o começo da guerra?
Minha primeira experiência foi em um destróier de 1908, sem nada. Tinha bombas de profundidade de 40 libras. Para se ter uma ideia do que era isso, depois nós usamos bombas de 300, de 600 libras. Usávamos de 40 amaradas com cabo. Não tínhamos lançador nem nada. Não tínhamos nada. Felizmente, nenhum submarino se lembrou de pôr a pique um daqueles navios. Não puseram a pique porque não quiseram. Mas tínhamos uma Marinha com mais de cem anos de existência, com tradição e história. Foi isso que permitiu que a gente fosse para o mar.
O senhor chegou a enfrentar os submarinos alemães?
Nós estávamos na altura da Venezuela, em um comboio americano. O único navio-patrulha éramos nós quando um petroleiro de avião foi bombardeado. Foi um fogaréu enorme. Aí nós tivemos um contato. Depois, eu tive mais uns dois contatos. Um deles foi com uma baleia. A baleia estava andando devagar, parecia um submarino. Foi destruída.
Qual foi a principal tarefa da Marinha brasileira na guerra?
Na guerra inteira a nossa função era passiva, defender comboio. Os americanos faziam caça e destruição. A nossa função era fazer passar o comboio. Cada passagem do comboio era uma vitória. Não era uma coisa que se contasse por destruição do inimigo, ou tomada de uma ilha. A nossa vitória era a passagem de um comboio.

Medalha de Serviços de Guerra
 Criada por Dec-Lei 6095, de 13 dez 1943; 6774, de 7 ago 1944 e 1638, de 16 ago 1944. Destinou-se a ser conferida aos militares das Marinhas de Guerra Nacional e Aliadas, da ativa, da reserva ou reformados, e aos oficiais tripulantes dos navios mercantes nacionais e aliados, que tenham prestado valiosos serviços de guerra, que a bordo dos navios, quer em comissões em terra. 


Fotos:Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha.
Medalha: forum Supremacy.
Autor :Marcelo Godoy
Fonte:O Estadão
Blog:Tok de História
O Resgate FEB

3 comentários:

  1. Meu nome é Jaime do Nascimento Barbosa; sou filho de João Barbosa de Santana e Nicomédia do nascimento Barbosa. Meu pai na Segunda Guerra Mundial, foi convocado pela Marinha de Guerra do Brasil; foi apresentado ou incorporado ao serviço ativo em Natal. Como 2º Sagento MR, foi o ContraMeestre do Cça Submarino Jaravi J/1; participou de toda História da 2ªGM lutando por nossa Nação e no seu anonimato dessa História de Suor Lágrimas e Sangue, contribuiu com a sua participação ativa junto a milhares de cidadãos fiéis a Nossa Mãe Pátria oferecessem as suas vidas para que nõ somente nós, mas o mundo retomasse a vida de paz para que outras gerações nascessem, crescessem e vivessem como estamos vivendo em paz. Conviveu esse meu Herói em meio as tempestades e ventos uivantes em mares revoltos em um pequeno navio enfrentando o inimigo submerso, patrulhando nossa costa, tendo no bojo do seu navio o desconforto e a incerteza do seu seu retorno ao porto seguro; é sabido por militares dessa época que ao invés de manteiga tinham a pólvora e em lugar do pão o chumbo; suas armas sem o modernismo do inimigo, não silenciaram no momento certo de serem usadas; a bravura o destemor daquela guarnição mal conseguiam se manterem em equilíbrio pelo excesso do balanço daquele pequeno barco de madeira transformado em um navio de guerra com a nossa Sagrada Bandeira desfraldada em sua popa e seus valorosos tripulantes de peito erguido, olhos atentos, espírito de brasilidade, coragem determinação e puro heroísmo em todos os seus atos, faziam do seu navio um grande navio de guerra, um imponente defensor do nosso litoral; e o que dizer mais desses bravos homens marinheiros? E afirmo que, se nossa Bandeira, símbolo maior da da Nossa nação, se ainda está içada ao topo do seu Mastro e desfraldada e em significado de liberdade e independência, se deve a muitos desse heróis que nos defenderam no céu na terra e no mar, e entre eles meu maior HERÓI, o Mestre João Barbosa de Santana que em l945, no ano do meu nascimento era 2º Sgt MR da Marinha do Brasil, que mostrou sua fibra, seu destemor,sua garra, sua liderança entre os seus comandados e atendo a voz de mando do seu Comandante, sem recuar, sem medo e mais ainda. sempre me dizioa quando ainda vivo morando comigo: Se tiver que fazer tudo pela minha Pátria novamente eu farei. " FIBRA DE HERÓI DE GENTE BRAVA" . Com o orgulho de ser filho de um Herói do meu Brasil, subcrevo-me. Atenciosamente. Jaime do Nascimento Barbosa

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  2. Parabéns, Jaime, por ter orgulho do seu pai herói. Seu papai deve ter lhe criado com ética e respeito, dando ênfase aos valores do bem.

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  3. Parabéns Jaime, pena que hoje nos falte homens como seu pai que tinham honra e davam a vida em prol da nação, bem diferente do que temos hoje no nosso pais onde os que deveriam nos proteger nos destroem em beneficio próprio.

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